Ontem acordei com a empolgada voz de Ricardo Boechat, da BandNews, anunciando a operação Satiagraha da Polícia Federal. Eram pouco mais de seis e meia da manhã, e Celso Pitta, Naji Nahas e Daniel Dantas estavam com as horas de liberdade contadas.
Houve uma época em que falar de política era muito, muito perigoso. Jornais centralizavam suas matérias de Economia, Esportes e Cidades, talvez como forma de compensar o primeiro assunto, silenciado deliberadamente.
Falar de corrupção era o máximo permitido, e o governo, salvo ignorância do nome que encima essas linhas, nunca acusou a imprensa de ser extremo-esquerdista, mas também pouco fez para combater o mal-do-século tupiniquim. A situação mudou muito de lá para cá? Falar de política não é mais tão perigoso, mas, e mais uma vez salvo engano, não há interesse em ir além do superficial. Escândalos de corrupção são explorados até o momento em que Ibope ou a tiragem de jornais e revistas avalizam a cobertura. Além disso, transcender o óbvio ficou muito chato.
Na tarde de ontem, o deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, apresentou sua defesa perante a Comissão Parlamentar de Inquérito. Não sei se era medo ou apenas desejo de mostrar que, apesar de sindicalista, era alfabetizado, mas vossa excelência leu toda a sua defesa segurando tremulamente algumas folhas. Espetáculo deprimente e um prenúncio dos tempos sombrios que nos assolam. Além de ser chato falar de política, aqueles que o fazem além da conta são tachados, e isso o próprio Paulinho nos deu o exemplo, de extremo-direitistas ou, se o acusado for um pouco complacente, anti-governo.
Com a operação da PF, pouco se cobriu da defesa de Paulinho. Se é proposital ou não, a resposta não cabe a mim. Mas está cada vez mais evidente que, das instituições da Nova República, a única que foi preservada dos assanhos petistas foi a própria Polícia Federal. Preservada para fazer operações mirabolantes, com nomes esdrúxulos para, atacando um tipo de corrupção, ocultar outra. Há o STF, mas cito aqui um trecho da entrevista que o então ministro Moreira Alves deu à FSP em 11/12/1997, pertinente, julgo eu, até os dias de hoje: “O Supremo está falido. Nós é que não estamos dizendo ao Brasil que isso aconteceu”.
